sexta-feira, dezembro 23, 2005

I may be paranoid, but not an android...

Para não tornar o assunto ainda mais confuso do que se tornou, tentarei simplificar minha posição em relação a alguns aspectos apresentados. Se não for feliz, teremos de ser mais duros.

Não vislumbro pessimismo algum, tampouco vejo algo fatalista despontar. O que busco é algo prático, terreno, que prime pelo livre-arbítrio e humanidade; nada romântico. Romantismos temos hoje aos montes, e como se não bastasse o volume que ocupam, muitos deles fedem a bolor.

De qualquer maneira, devemos higienizar algumas coisas. Quando digo milhões de pessoas desaculturadas, não me refiro à cultura no sentido esmerado, mas sim a um ponto de consciência. Não há absolutamente nada de néscio em jogar sinuca, tomar cachaça e se reproduzir; o que é danoso a todos é a falta de um senso mínimo para se lidar com nossa realidade consumista e dinamizada (por que não temos tempo, por que sempre aceitar, por que sempre comprar, por que não reclamar?). E então não será surpresa que, por conseguinte, essa grande massa se reproduza e gere uma nova prole idêntica; acabando por sufocar minorias que não gozam de mesma consciência. Assim quando digo que iremos morrer sendo mais idiotas que os outros, é pelo fato de assim o sabermos e nada fazermos. Não somos hoje corpos tão dóceis, mas isso em nada acarreta.

No mais, a classe de esfarrapados é classe oriunda de uma história inteira de admoestações e bordoadas, que apesar de seu número, hoje vive sob sombra. Parece-me por vezes, a classe que não deixaram vingar. O que deixa de ser uma cultura tão arbitrária, não? Quantas potencialidades nós perdemos aí? Quantas vamos perder?

Quero salientar o seguinte: hoje, para que se possa vislumbrar alguma evolução, é fundamental uma crítica a cultura. Para que esta possa se projetar, é fundamental sua audição. Para que haja audição, é imprescindível que todos ouçam. E quando houver audição, teremos força. Esta é a parte romântica.

Sobre a parte terrena, posso citar a banda. Mas e o empilhamento? Digo que não são apenas as pessoas desaculturadas que padecem de um nível de consciência mais saudável. O que é tão lúgubre quanto os citados milhões.

Por fim tenho também um apelo, digo, uma apóstrofe: Deus! Dai-nos orgulho.