sexta-feira, dezembro 23, 2005

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Alguns comentários apenas:

I.

Romantismos temos aos montes, concordo plenamente. Mas o pragmatismo e o racionalismo são também universais e, quando levados aos extremos, são tão nocivos quanto os romantismos bolorentos. O racionalismo, apesar de nos colocar onde estamos, acabou com todo o encantamento do mundo. O mundo hoje é predominantemente racional.

Toda vez que alguém aposta na importância de analisar o mundo e intervir, sob a ótica do racionalismo e do cientificismo, morre um pouco o romantismo e as ideologias. Não me julgo capaz de tentar mudar o posicionamento de ninguém, mas escolho o meu com cuidado, oscilando entre os dois opostos.

Se levarmos a cabo um postura racionalista radical para os ditames de nossa vida, além de amorais ficaríamos estagnados. Em essência, racionalmente, não há razão para mudar o mundo, pois ele é imenso e resistente, e morreremos todos tristes e cansados. Mas todos precisamos de um motor para a vida, não?

II.

TODOS seus pontos de vista me parecem coerentes e lógicos. Sob uma análise fria, a massa é inerte, a massa é burra, a massa reproduz o sistema de opressão e possui sua parcela de culpa, por negar os instintos e permanecer dócil, por concordar silenciosamente com a opressão, etc.

Mas culpá-los por sua inércia é como responsabilizar uma mulher pelo seu próprio estupro, simplesmente por ela ser mulher e alimentar os desejos do estuprador! Em resumo, creio que nossa crítica não pode ser diretamente direcionada, com toda sua carga, aos oprimidos. Os opressores, os estupradores do povo (e de nós mesmos!) merecem muito mais críticas. Aliás, são um desafio ainda maior, por estarem sempre protegidos e blindados, por serem influências invisíveis.

III.

Por fim, faço meu atestado de concordância com Hegel e Marx, ao menos no que diz respeito a dialética. Nossas opiniões discordantes, ao invés de se anularem mutuamente, criam sempre algo novo: idéias geniais, filhas de um casamento pouco harmonioso.

A criação e a mudança residem sempre em determinado grau de conflito.

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