quarta-feira, maio 24, 2006

De um passado nem tão distante..

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Mentecaptos gritando pelo futebol enquanto escrevemos nosso maniphesto. Será essa a estética do nada? Sim. E estamos lhe dando uma resposta. É assim que funcionam os manifestos. Explicitamos todos os clichês do mundo e buscamos a definição para uma nova arte. Angariamos cultura, política, sexo, dinheiro, religião e a violência latente em cada verso dos cânones massificados pela máquina da sociedade humana moderna, tecnocrata, hierárquica helênica impessoal individualista ocidental.

Uma rosa para os que ousaram sonhar e trilham o caminho do fracasso e frustração voluntários. Esquecem de que a redenção caiu por terra em um ato contínuo de guerra maniqueísta deslavada; lavamos dinheiro. Por isso, jamais cairemos em contradição. O que importa o senso político e estético se desistimos de nós mesmos, sufocados por ideologias exteriores introjetadas?
O que resta enfim, é a arte ordinária! Nossas idiossincrasias, nossos madrigais de porta de banheiro público, nossa poesia sob a cama. São versos feios, tortos, sem rima e disrítmicos do improviso dum ébrio ignorado. O lamento triste do pai de família no lupanar, profanado aos quatro ventos, mas eternamente não testemunhado.

O espasmo criativo é a arte ordinária por excelência, assim como a estética do nada. Uma vez que não possuem acesso à arte institucionalizada, é imperativo que os pobres, desajustados e excluídos recorram à arte ordinária. Mas os pobres nada são, assim como os ricos. Viva a arte ordinária assim como a estética do nada!
de
Demiurgo Comprachico & Aristeu H. Adônis (circa 2004)