o racionalismo tornou-se deus;
a massa não possui culpa alguma, visto que sua ignorância inseminada alcançou um nível de retroalimentação;
ainda, Tristero, Sagatiba:
é nosso passado como o ouro?
Não vislumbro pessimismo algum, tampouco vejo algo fatalista despontar. O que busco é algo prático, terreno, que prime pelo livre-arbítrio e humanidade; nada romântico. Romantismos temos hoje aos montes, e como se não bastasse o volume que ocupam, muitos deles fedem a bolor.
De qualquer maneira, devemos higienizar algumas coisas. Quando digo milhões de pessoas desaculturadas, não me refiro à cultura no sentido esmerado, mas sim a um ponto de consciência. Não há absolutamente nada de néscio em jogar sinuca, tomar cachaça e se reproduzir; o que é danoso a todos é a falta de um senso mínimo para se lidar com nossa realidade consumista e dinamizada (por que não temos tempo, por que sempre aceitar, por que sempre comprar, por que não reclamar?). E então não será surpresa que, por conseguinte, essa grande massa se reproduza e gere uma nova prole idêntica; acabando por sufocar minorias que não gozam de mesma consciência. Assim quando digo que iremos morrer sendo mais idiotas que os outros, é pelo fato de assim o sabermos e nada fazermos. Não somos hoje corpos tão dóceis, mas isso em nada acarreta.
No mais, a classe de esfarrapados é classe oriunda de uma história inteira de admoestações e bordoadas, que apesar de seu número, hoje vive sob sombra. Parece-me por vezes, a classe que não deixaram vingar. O que deixa de ser uma cultura tão arbitrária, não? Quantas potencialidades nós perdemos aí? Quantas vamos perder?
Quero salientar o seguinte: hoje, para que se possa vislumbrar alguma evolução, é fundamental uma crítica a cultura. Para que esta possa se projetar, é fundamental sua audição. Para que haja audição, é imprescindível que todos ouçam. E quando houver audição, teremos força. Esta é a parte romântica.
Sobre a parte terrena, posso citar a banda. Mas e o empilhamento? Digo que não são apenas as pessoas desaculturadas que padecem de um nível de consciência mais saudável. O que é tão lúgubre quanto os citados milhões.
Por fim tenho também um apelo, digo, uma apóstrofe: Deus! Dai-nos orgulho.