quinta-feira, março 23, 2006

Caos&Ordem?

Amigos,

meus comentários chegam um tanto tardios, eu sei. Pode ser, também, que eles apenas toquem de leve o que vocês consideram como sendo a questão primordial de tudo isso. Corremos sempre o risco da divagação;

I.

Deve confessar que o próprio termo, "caos de ordem" causa-me uma estranheza. Apesar de serem antíteses no campo da linguagem, os dois conceitos podem ser, afinal, exatamente a mesma coisa, epistemologicamente falando. O que me joga numa contradição ferrenha: caos e ordem são opostos mutuamente exclusivos ou são apenas estados mentais?

Não seria o caos apenas a ausência de atribuição de ordem aos eventos que vivenciamos? Imagine um bebê, recém-nascido: para ele, nas primeiras horas, dias ou meses, tudo deve ser caótico, justamente por sua incapacidade de estabelecer correlações entre eventos díspares. As experiências e o aprendizado vão, gradativamente, criando a sensação de ordem, de causalidade, "ação e reação", até ele ser capaz de relacionar dentro de certo período, por exemplo, um padrão fonético correspondente ao pedido de alimento, padrões visuais que remetem aos pais, etc.

Assim, só posso pensar que o "caos de ordem" é tão somente a incapacidade de compreender o que faz as ordens diversas (físicas, morais, sociais) funcionarem como um todo íntegro - a "não-percepção" das conexões que unem elementos díspares. Mas para isso há sempre a possibilidade de outro ordenamento, ou ordenamentos sobrepostos. Psicologia, sociologia, moral, religião, escapismo.


II.

A moral, em si, banaliza-se. Não somos rígidos autômatos. Nossas hierarquias morais são elásticas, amorfas, instáveis. Nesse sentido, é possível a mudança, não há dúvidas.

No entanto, o abandono de uma moral é sempre a adesão a um novo sistema, ainda que criado por nós mesmos, ainda que relativamente livre do ranço das nossas experiências prévias. Na verdade, não deve existir uma mudança radical de estados, uma transição mística. Um crente nunca torna-se ateu de um segundo para o outro. Ele remodela sua moral lentamente, sempre numa contínua mutação.

Somos sempre cobrados para que sejamos constantes, quando jamais seremos. Chega a ser irônico.

III.

Tenho o (péssimo?) hábito da relativização extrema e da tentativa de atribuição de significados novos para coisas "antigas" ou certas e seguras. Além disso, para conectar as idéias aqui expostas, pergunto: não seria o sentido da vida, a chamada "Coisa Verdadeira" apenas o resultado de um estado de acomodação em alguma ordem possível?

Não tomem, por favor, acomodação e ordem por seus sentidos mais imediatos, mas como possibilidades. Para muitos, a Viagem foi um processo errático, caótico, desprovido de sentido - uma ausência de ordem. O que alguns consideram caótico, para outros é ordenado e vice-versa.

E assim, não seria a quietude e serenidade, a satisfação, apenas a aceitação de determinadas ordens?

terça-feira, março 14, 2006

Também o limite é fácil.
A verdade? Todos os ídolos estão quebrados.
Também é uma questão de tempo.

vamos beber ao horizonte limpo.

(risos)

domingo, março 05, 2006

A madrugada dourada

Sinto-me cansado de existência. O que nos resta amigos?

Deve faltar-me virtuosismo. Há anos não ostento a lucidez da certeza, só uma espécie de caos de ordem. Digo que tudo isso é perigoso, pois não me dou à precaução alguma. E talvez essa insegurança acabe maior que o fato em si.

Por que descrevo? Até que ponto uma moral sustenta, limita uma pessoa? Quando conhecemos e a praticamos durante anos, sua trivialidade nos torna lânguidos. Ou ela jamais se banaliza?

Porém acredito sentir seu fardo. Há possibilidade e viabilidade de mudança, ou apenas caos de ordem?