quarta-feira, dezembro 20, 2006

Ora,

Você é pretensioso Tristero.
Conheceria Bukowski e não trocariam uma palavra.
Pensaria em beber mais (todos o sabem e por aí dizem).
Ao fim, sua boca cerebral passaria a ter contrações, vomitaria.
Veríamos um desaguadouro de arte contínua e discreta,
travestidos de pessimismo teórico e retórico.
E todos abençoados por arte pura.



(grande merda o Bukowski.)

Esse negócio aqui... daqui a pouco, vai pro Limbo!


fragmentos "levemente selecionados":


hoje choveu. bastante. poderia acontecer de um arroubo lírico desencadear em mim uma torrente poética de sublime beleza. nada aconteceu. faltou-me o domínio da técnica. ou talvez a disposição do artista em acreditar-se dotado de uma visão privilegiada do mundo. faltou o tempo.

o que sobrou? algumas inquietações. sobretudo a pungente aflição de que eu posso subtrair do artista a sua aura de encantamento. alguns gritarão que isto é a racionalização burra de um processo criativo e o solapamento da possibilidade de divergência em um mundo construído em tons de cinza. em um primeiro momento eu acreditaria nisso.

mas...

o artista "funcional" (e aqui eu falo até mesmo dos artistas de rua, dos mambembes e todos os que tomam para si a alcunha de artista), em primeiro lugar, não produz por espasmos. ele produz por antecipação, cálculo lógico e objetividade. quer o deleite ou a apreciação estética de terceiros. quer pagamento em troca da arte oferecida, quer reconhecimento. como bom humano, ele deseja.

o que difere um artista do outro é o tipo de desejo. alguns preferem dinheiro, outros a justificação de seu comportamento excêntrico e desviante, a obtenção de distinção, a compulsão em expressar-se. normalmente, por questões práticas, o artista responde aos seus múltiplos desejos e necessidades.

há quem diga que o Estado detém o monopólio da violência. os artistas, por sua vez, encarregam-se do monopólio da expressão artística e da construção de subjetividades. existiram artistas libertários e artistas nazistas. a diferença entre eles está no campo moral, coisa que não pode ser medida.

grande merda tudo isso...

gostaria de ter conhecido o Bukowski